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março 19, 2020 -

[SÉRIES] Locke & Key





Locke & Key
Original Netflix | Formato: Série | Status: Em andamento (2020 - Presente)
Gênero: drama, fantasia, horror | Temporadas: 1 | Episódios: 10
Duração média: 50 Min | Dub/Leg (US)

Bem vindos a Key House, onde chaves misteriosas — e muito, muito poderosas — estão escondidas por todos os cantos, assim como os segredos. A adaptação da HQ de estrondoso sucesso de Joe Hill, filho do lendário Stephen King, e Gabriel Rodríguez, narra a história da família Locke, que após um trauma — serem feitos de reféns por um adolescente e presenciarem o assassinato do pai e marido — decidem que precisam recomeçar em um lugar novo, e escolhem a mansão da família, onde ele cresceu e depositou suas raízes mais profundas. A mãe, Nina, e os filhos Bode, Kinsey e Tyler parecem ter reações adversas em relação a mudança e a antiga casa em um primeiro momento, mas depois de algum tempo a Key House, de formas diferentes, acaba se mostrando um pouco mais atraente do que eles pensavam.

A aventura dos jovens Locke se inicia com Bode, o caçula dentre os adolescentes, que acaba ficando sozinho em casa por conta de suas aulas que só começarão na semana seguinte. Em suas explorações ele descobre que há algo de fantástico em sua nova morada, ouve sussurros que o levam as primeiras chaves e descobre uma moradora inesperada que está presa no poço: Dodge, a grande vilã da trama, que num primeiro momento se mostra amigável até finalmente ser libertada por ele. Ela busca controlar as chaves para concretizar seu plano misterioso e parece estar ligada ao passado da Key House e de Rendell, o patriarca assassinado, que aparentemente conhecia muito bem à ela e aos segredos da casa.

A série faz uso da fórmula quase sempre muito bem sucedida de crianças lutando contra o mal que as ameaça. Pensando por apenas alguns segundos nós podemos encontrar inúmeros exemplos disso em absolutamente todos os tipos de produção, mas por seu enredo muito rico e uma mitologia muito característica e única, os produtores conseguiram facilmente transformar isso em apenas um componente para o seu sucesso, não permitindo torná-la um clichê imediatamente. Um dos personagens que já mostra para o que veio em suas primeiras cenas é o Bode, que não encaixa em um padrão habitual para a sua idade, com seu raciocínio rápido e suas ideias extremamente criativas é capaz de facilmente te cativar. Tyler e Kinsey também não ficam para atrás, apesar de seus arcos serem mais maduros e complexos — por muitas vezes se afastando um pouco do tema central da trama com seus namoros e dramas escolares — eles conseguem fazer disso uma ferramenta para quebrar a carga de expectativa que criamos sobre o que vou chamar de “Dodge vs. os Locke” com a ajuda de vários personagens secundários que conseguem facilmente encontrar seus lugares no centro da história.

Dentre os três Locke, Kinsey consegue se destacar com seus traumas e atitudes um tanto controversas — algumas destas que, acredito eu, serão exploradas e justificadas em uma possível segunda temporada — e acaba dando uma aula um tanto lúdica no quesito psicologia. Essas são algumas das coisas, além é claro dos vários segredos da Key House, me fazem dizer que essa série necessita de uma renovação imediata. Mais um destaque é a vilã impetuosa vivida pela atriz Laysla de Oliveira, que tem ascendência brasileira — está nos dando muito orgulho — que não nos dá muita margem para empatia por ser extremamente fria e livre de qualquer afeto além de seus objetivos. Vale ressaltar também o trabalho de computação que traz efeitos extremamente vivos e realistas para a série, que apesar de seu visual mais dark acaba adotando cores para transformar a sua fotografia em um show para o telespectador.

Uma curiosidade interessante a respeito da série é o caminho que ela percorreu até chegar as telinhas. Em um primeiro momento podemos pensar que toda a sua produção é resultado de alguns meses de dedicação, mas Locke & Key tem muito, mas muito, mais de história do que isso: a adaptação demorou mais de dez anos para finalmente sair do papel! Dentre várias emissoras, studios e streamings, como Fox, Universal e Hulu, a história teve várias versões gravadas em formatos diferentes que foram descartadas logo em seguida, dezenas de profissionais de peso tiveram contato com o material criado por Joe e Gabriel antes de a Netflix finalmente conseguir consumar a versão que conhecemos. Porém tantos encontros e desencontros não puseram em dúvida a qualidade da HQ, na verdade tornou a expectativa ainda maior e a história ainda mais obscura e misteriosa, deixando os fãs afoitos para presenciarem as cenas tão conhecidas e amadas em um formato novo e mais realista.

Em minhas considerações finais preciso admitir que a série tem sim seus detalhes que poderiam ter sido melhor trabalhados, no entanto, não ferem diretamente o enredo e qualidade no geral, portanto preciso apontá-la como uma das melhores produções originais da Netflix dos últimos tempos — uma peça importante para dessaturar as tramas repetitivas entregues pelo serviço ao longo dos últimos dois anos — e aguardo ansiosamente a segunda temporada para ver os mistérios e pontas soltas serem costurados. E convido vocês a entrarem comigo nessa espera!

Resenha por: Jonathan Chagas

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