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fevereiro 04, 2019 -

[RESENHA] Ninguém Nasce Herói, de Eric Novello




Título: Ninguém Nasce Herói
Autor(a): Eric Novello
Editora: Seguinte
Páginas: 384
Gênero: distopia, LGBT
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SINOPSE:
Num futuro em que o Brasil é liderado por um fundamentalista religioso, o Escolhido, o simples ato de distribuir livros na rua é visto como rebeldia. Esse foi o jeito que Chuvisco encontrou para resistir e tentar mudar a sua realidade, um pouquinho que seja: ele e os amigos entregam exemplares proibidos pelo governo a quem passa pela praça Roosevelt, no centro de São Paulo, sempre atentos para o caso de algum policial aparecer. Outro perigo que precisam enfrentar enquanto tentam viver sua juventude são as milícias urbanas, como a Guarda Branca: seus integrantes perseguem diversas minorias, incentivados pelo governo. É esse grupo que Chuvisco encontra espancando um garoto nos arredores da rua Augusta. A situação obriga o jovem a agir como um verdadeiro super-herói para tentar ajudá-lo — e esse é só o começo. Aos poucos, Chuvisco percebe que terá de fazer mais do que apenas distribuir livros se quiser mudar seu futuro e o do país.

Ninguém Nasce Herói se passa em São Paulo, em um momento da história quando o Presidente da República assina o Pacto de Convivência, uma medida que decreta o fim da perseguição à minorias. Poucas pessoas acreditam que será pra valer, porque o presidente, ou o Escolhido, é um fanático religioso que através de manobras políticas chegou ao poder e estimulou grupos de ódio e perseguição à minorias e oposição. Qualquer semelhança com nossa situação política atual é mera coincidência, viu? Esse livro é de 2017.

Nisso conhecemos Chuvisco, ele e seus amigos, Amanda e Cael, são descrentes da bondade do governo, acreditam não passar de uma jogada de marketing. O grupo de amigos é bem diverso e cada um luta contra o sistema da forma que pode.


Um dia em que resolvem testar essa bondade do Pacto do governo, eles distribuem livros banidos pelo governo e são parados pela polícia. Eles até conseguem se safar da situação, mas Amanda logo percebe que uma pessoa usando máscara de caveira e com uma máquina fotográfica observando a situação toda com os policiais. Descobrimos que a pessoa faz parte de Santa Muerte, um grupo de mídia independente que faz oposição ao governo do Escolhido.

Outra situação que Chuvisco se mete é numa briga ao defender Junior, um desconhecido que está sendo espancado na Rua Augusta, contra a Guarda Branca, um grupo conservador que faz justiça pelo Escolhido. Isso faz ele ficar em perigo, tendo que esconder e esperar a poeira abaixar. Pra tentar saber se Junior está bem, ele vai procurar saber mais sobre o grupo Santa Muerte, e depois de tudo que ele passou, acha que precisa deixar de ser um "sonhador", como seu amigo diz, e colocar a mão na massa nessa luta contra o sistema.


É uma situação complicada já que ele não tem certeza se o grupo Santa Muerte continua sendo apenas uma mídia alternativa, pois parece que estão fazendo ações mais extremas, então ele precisa se decidir enquanto lida com suas catarses criativas, em que vê coisas que não existem e interagem com sua realidade. Com ajuda de um psicólogo, ele aprendeu a controlar isso bem, mas ultimamente, com tudo que tem acontecido, tem piorado.

A leitura é contado em primeira pessoa pelo ponto de vista do Chuvisco. Comecei com grandes expectativas, e até certo ponto ele me prendeu, logo no início mesmo, mas aí ficou meio morno, sem grandes acontecimentos. Então em alguns momentos tinham detalhes que pareciam não acrescentar nada na trama.


O livro aborda assuntos muito atuais. O livro foi lançado em 2017, e parece que o autor preveu o futuro, tão certeiro e absurdo os acontecimentos são. Mas o grupo Santa Muerte não pareceu tão extremo assim e poderia ter sido trabalhado melhor, nos dar mais detalhes sobre o movimento.

É uma leitura super válida, além de ser interessante acompanhar Chuvisco e seus amigos, que são muito unidos, mas eu acho que criei muita expectativa antes de ler e isso atrapalhou um pouco. Mas eu recomendo a leitura, que com certeza me deu forças nesse momento sombrio pelo qual passamos. E mostrou que há várias formas de resistir e lutar por aquilo que você acredita. Continuar vivendo é uma forma de resistência.


QUOTES:

"Do jeito que vai o país, um livro de terror é um amigo mais sincero que um de ajuda."

"'Futuro' é uma palavra engraçada. Nela cabem todas as nossas ansiedades e expectativas."

3 comentários:

  1. Também esperava bastante desse livro, mas sua resenha já deu aquela diminuída nas minhas expectativas. Grande Abraço.

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  2. Expectativa sempre atrapalha, mas é inevitável não sentir com essa premissa.
    Acho que pode surpreender quem não está esperando grandes coisas, porque a ideia do livro é muito interessante.

    Beijos

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  3. Olá Carol!!!
    Assim que li o início da resenha fiquei: Hum, isso me parece familiar??
    Realmente parece que o autor previu nosso futuro 2 anos dele acontecer, eu gostei da ideia do enredo e colocarei ele na minha lista enorme de leituras mas já vejo pra não ir com expectativas pois parece que ele peca em certos pontos.

    lereliterario.blogspot.com

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