[RESENHA] Quem Tem Medo do Feminismo Negro?, de Djamila Ribeiro

novembro 05, 2018

Título: Quem Tem Medo do Feminismo Negro?
Autor(a): Djamila Ribeiro
Editora: Companhia das Letras // livro recebido em parceria com a editora
Páginas: 152
Gênero: ensaios
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SINOPSE:
Quem tem medo do feminismo negro? reúne um longo ensaio autobiográfico inédito e uma seleção de artigos publicados por Djamila Ribeiro no blog da revista CartaCapital, entre 2014 e 2017. No texto de abertura, a filósofa e militante recupera memórias de seus anos de infância e adolescência para discutir o que chama de “silenciamento”, processo de apagamento da personalidade por que passou e que é um dos muitos resultados perniciosos da discriminação. Foi apenas no final da adolescência, ao trabalhar na Casa de Cultura da Mulher Negra, que Djamila entrou em contato com autoras que a fizeram ter orgulho de suas raízes e não mais querer se manter invisível. Desde então, o diálogo com autoras como Chimamanda Ngozi Adichie, bell hooks, Sueli Carneiro, Alice Walker, Toni Morrison e Conceição Evaristo é uma constante.
Muitos textos reagem a situações do cotidiano — o aumento da intolerância às religiões de matriz africana; os ataques a celebridades como Maju ou Serena Williams – a partir das quais Djamila destrincha conceitos como empoderamento feminino ou interseccionalidade. Ela também aborda temas como os limites da mobilização nas redes sociais, as políticas de cotas raciais e as origens do feminismo negro nos Estados Unidos e no Brasil, além de discutir a obra de autoras de referência para o feminismo, como Simone de Beauvoir.



"O feminismo negro não é uma luta meramente identitária, até porque branquitude é masculinidade também são identidades. Pensar feminismos negros é pensar projetos democráticos."

É com esse trecho que o livro se inicia, contando um pouco da vida e infância de Djamila Ribeiro, em que ela não entendia porquê ela se esforçava pra não ser notada, porquê se sentia diferente dos colegas de classe e porquê eles não queria formar par com a "neguinha" da turma. E também conta que só ao entrar em contato com sua cultura que ela deixou de se esconder e não se deixou silenciar mais.



Esse é daquele tipo de livro que você quer escrever na testa e em todos os lugares trechos do livro pra que todo mundo saiba, principalmente aqueles que dizem que machismo e racismo não existem. A autora não fala apenas sobre situações pelas quais passou, mas cita fatos históricos e situações recentes, nos dando uma aula sobre o assunto através de artigos que ela já publicou no blog CartaCapital.

A autora se baseia em em grandes autores de renome como Alice Walker, Simone de Beauvoir, Chimamanda Ngozi Adichie.



Esse é um livro muito necessário, pra todo mundo, não somente pra mulheres, mas pra qualquer pessoa pra fazer refletir sobre o papel da mulher negra numa sociedade tão racista e machista. Apesar de saber que o racismo existe, é bem triste saber tudo que a autora e todas mulheres negras passaram só pela cor da pele. Eu recomendo demais a leitura desse livro!

Esse post faz parte do top comentarista de novembro que dá o lançamento A Missão Traiçoeira!



QUOTES:

"A sensação de não pertencimento era constante e me machucava, ainda que eu jamais comentasse a respeito."

"Foi graças a Morrison que percebi que, adoecido pelo racismo, eu precisava encontrar formas de me libertar para não amar de forma adoecida também."

"Ninguém fala em racismo por ser gostoso ou por não ter mais nada pra fazer da vida. Ninguém gosta de bater na mesma tecla, mas a sociedade não dá outra opção."

"Por que se tem compreensão com quem está oprimindo e não com quem está sendo oprimido? A menina negra é que precisa entender que isso é "brincadeira" ou quem faz a "brincadeira" que deve perceber que aquilo é racismo? Até quando utilizarão o humor como desculpa para comentários racistas? Quem olhará pela menina negra que odiará seu cabelo por causa das piadas? Quem lucrará a gente já sabe."

30 comentários:

  1. Nossa, é muito mais do que um livro!
    Por mais que eu tente imaginar e me colocar no lugar, acho que não consigo sentir tudo o que sentem.
    Mas Djamilla parece nos aproximar dessa realidade, e mais uma vez nos conscientizar do quanto racismo, machismo e todos os ismos são cruéis e perigosos.
    Os quotes são extremamente incríveis, me deixaram com vontade de ler.

    Beijos

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  2. Já ouvi falar bastante desse livro, porém é a primeira resenha que leio sobre. Amei demais. O quotes são empolgantes. :)

    https://obaucultural.blogspot.com/2018/10/resenha-viver-em-paz-para-morrer-em-paz.html

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  3. Oi, Carol!
    Tenho muita vontade de ler esse livro! Já acompanhei algumas entrevistas da Djamila Ribeiro e acho que ela se expressa de um modo muito inteligente. Sendo também uma mulher negra, me sinto praticamente no dever de ler este livro e prestigiar o trabalho dessa autora, que parece maravilhosa ao discutir um tema tão importante quanto o racismo na sociedade. Gostei muito dos quotes que você separou e as fotos também ficaram lindas, só me fizeram querer ainda mais este livro. Beijos!

    Jéssica Martins
    castelodoimaginario.blogspot.com

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    1. simmm, com certeza é um livro que todos devem ler! obrigada <3

      beijos

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  4. Olá!
    Eu vejo o tema como algo totalmente necessário para qualquer um inserir na vida, para discutir e conhecer. Por mais que muitos achem que o racismo não existe mais como antes, ele existe! Ou que o feminismo não ajuda ou ajudou em nada? Estão equivocados. Muita gente precisar ler esse livro, principalmente depois dessas eleições. Dica anotada!

    Traveling Between Pages

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  5. Incrível como me identifiquei com tantos trechos desse livro, eu acredito que precisamos mais e mais e mais de obras que falem sobre feminismo, racismo, e que englobem as minorias. Sobre a edição, curti a capa demais. E é um livro curtinho né?! vou dar uma olhada COM CERTEZA.

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  6. Olá!
    Apesar de não ser uma leitora assídua de livros com os "ismos", acho que são primordiais e necessários para que possam entender pelo menos um pouquinho do que sentem e como pensam as pessoas que sofrem ou lutam para abrir a cabeça de tantos desinformados.
    Com certeza esse é um livro para refletir e para se inspirar.
    Adorei as partes que você selecionou!
    Beijos!

    Camila de Moraes

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    1. simm, também não costumo ler livros assim, mas foi uma leitura enriquecedora!

      beijos

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  7. Nossa que livro forte! Parece que o conteúdo é bom mesmo! Gostei também do sistema de nota e das quotes (igualmente impactantes)!

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  8. Oi Carol!
    Esse livro já está nos meus desejados, desde que bati o olho já me interessei, não vejo a hora de ler, pelos quotes e comentários sobre o enredo, pode se esperar uma leitura e tanto.
    Bjs!

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  9. Oi Carol, tudo bem?
    Que resenha maravilhosa! Tenho me interessado cada vez mais por leituras assim e sem dúvidas irei dar uma chance para esse livro, pois vc deixou claro que ele é incrível e essencial.
    Beijos

    Sai da Minha Lente

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  10. Olá!

    Que resenha linda, ainda não conheça esse livro, mas fiquei super curiosa agora, esse design de cores na capa é muito interessante.

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  11. Oi Carol.
    Não conhecia o livro, mas o achei muito interessante.
    É o tipo de livro que todos deveriam ler.
    Fico com muita raiva das pessoas que fazem uso de "brincadeiras" (de mal gosto) e "piadas" para expressar opiniões racistas e de preconceito, mas as pessoas relevam porque aquilo que foi dito não era sério.
    Gostei muito dos quotes!
    Já vai para a lista de desejados.
    Beijos

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    1. simm, concordo! espero que leia e goste!

      beijos

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  12. Uma premissa extremamente importante para o momento que vivemos, tão critico e indiferente aos sentimentos alheios. O fato da autora ter usado fatos históricos e recentes só agrega valores a obra, quero ler e com certeza escrever os trechos dessa obra em todo quanto é canto.

    Abraços.
    https://acabinedeleitura.blogspot.com/

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  13. Olá, Carol!

    Infelizmente, em pleno século XXI, seguimos vivendo numa sociedade muito machista e racista. As pessoas julgam e condenam os outros pela sua cor de pele, seu gênero, sua religião, sua condição financeira... E os discursos de ódio têm conseguido mais e mais espaço. Um livro como este é importantíssimo sobretudo para serem lidos pelos próprios preconceituosos para ver se algo de bom entra na cabeça deles.

    Eu tenho um livro da Simone Beauvoir aqui em casa, que comprei recentemente: Memórias de uma Moça Bem-Comportada e pelo que li da sinopse é uma autobiografia. Tenho pensado em apostar nos livros dessa autora.

    Me interessei por este livro e se tiver a oportunidade com certeza o lerei!

    Bjs!

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    1. é verdade! vou procurar por esse título!

      beijos

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  14. Olá, tudo bom?
    Eu li esse livro recentemente e foi uma leitura que mexeu demais comigo. Eu confesso que não conhecia muito sobre o feminismo negro, mas através da história da Djamila e da contextualização social que ela faz, eu percebi a necessidade e importância do mesmo em nossa sociedade. Adorei ver a resenha sobre esse livro por aqui ♥
    Beijos!

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  15. Olá! Eu fiquei muito curiosa em relação ao livro, principalmente pela visão ser de uma autora nacional. Adorei os pontos ressaltados na sua resenha, deu pra desenhá-los na mente e notar o quão importante o livro é. Debater e difundir o conceito correto do feminismo e do movimento negro, na atual fase do país, é mais do que necessário , é obrigatório. Obrigada pela dica!

    Bjoxx ~ www.stalker-literaria.com ♥

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