[RESENHA] Enterre Seus Mortos, de Ana Paula Maia

agosto 27, 2018

Título: Enterre Seus Mortos
Autor(a): Ana Paula Maia
Editora: Companhia das Letras // livro recebido em parceria com a editora
Páginas: 360
Gênero: ficção, literatura brasileira
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SINOPSE:
Edgar Wilson é “um homem simples que executa tarefas”. Trabalha no órgão responsável por recolher animais mortos em estradas e levá-los para um depósito onde são triturados num grande moedor. Seu colega de profissão, Tomás, é um ex-padre excomungado pela Igreja Católica que distribui extrema unção aos moribundos vítimas de acidentes fatais que cruzam seu caminho. A rotina de Edgar Wilson, absurda em sua pacatez, é alterada quando ele se depara com o corpo de uma mulher enforcada dentro da mata. Quando descobre que a polícia não possui recursos para recolhê-lo — o rabecão está quebrado —, o funcionário é incapaz de deixá-lo à mercê dos abutres e decide rebocar o cadáver clandestinamente até o depósito, onde o guarda num velho freezer, à espera de um policial que, quando chega, não pode resolver a situação. Nos próximos dias, o improvisado esquife receberá ainda outro achado de Wilson, o lacônico herói deste desolador romance kafkiano: desta vez o corpo de um homem. Habituados a conviver com a brutalidade, Edgar e Tomás não se abalam diante da morte, mas conhecem a fronteira, pela qual transitam diariamente, entre o bem e o mal, o homem e o animal. Enquanto Tomás se empenha em salvar a alma, Edgar se preocupa com a carcaça daqueles que cruzam seu caminho. Por isso, os dois decidem dar um fim digno àqueles infelizes cadáveres. Em sua tentativa de devolvê-los ao curso da normalidade, palavra fugidia no universo que Ana Paula Maia constrói magistralmente, os dois removedores de animais mortos conhecerão o insalubre destino de seus semelhantes. Com uma linguagem seca, que mimetiza as estradas pelas quais o romance se desenrola, a autora faz brotar questões existenciais de difícil resolução. O resultado é uma inusitada mescla de romance filosófico e faroeste que revela o poderoso projeto literário de Maia.

Edgar Wilson é um removedor de animais mortos que obstruem o caminho dos veículos, uma tarefa que não é fácil. Conhecemos sua rotina, que é abalada quando encontra o corpo de uma mulher enforcada. Ele então liga pra seu colega de profissão, Tomás, um padre excomungado, e os dois resolvem levar pro local onde moem os animais mortos, e guardar o corpo da mulher no freezer, já que o rabecão da polícia que faz esse trabalho está estragado e não tem como levar o corpo pro IML.

Não muito tempo depois, os dois encontram outro corpo, dessa vez de um homem que parece ter sido atropelado e logo em seguida arrastado para a mata. Edgar leva mais um corpo pro freezer junto do corpo da mulher. Mas no dia seguinte, o freezer para de funcionar.



Na intenção de fazer com que a rotina volte ao normal, Edgar e o padre Tomás resolvem levar os corpos para o IML da cidade vizinha eles mesmos. No meio do caminho, eles ajudam uma moça no acidente de carro, em que ela perdeu a filha e o marido que dirigia o carro, mas a moça tá tão fora de si que acaba ficando na estrada mesmo.

Chegando finalmente no IML, os funcionários dizem que não podem ficar com os corpos pois há uma superlotação e mandam eles para o IML de outra cidade. Então eles resolvem dar uma parada em um lugar conhecido da infância de Tomás, e ali descobrimos um pouco mais sobre seu passado.



A escrita da autora é objetiva e direta, assim como seus personagens que só querem dar um fim digno aos corpos esquecidos e enterrá-los, mas as autoridades pouco se importam com esses seres humanos, tratam com descaso. O livro mostra toda a brutalidade do ser humano para com o outro.

Eu recebi esse livro e fiquei intrigada com a capa e o título, apesar de serem interessantes, não esperava que uma história tão simples fosse tão forte e que me cativaria tanto quanto me cativou. Recomendo muito a leitura, dá pra ler num dia só!


QUOTES:

"De certa forma, tudo sempre parece o mesmo, não importa a direção para a qual se mira."

"Edgar Wilson nunca conheceu trabalho que não estivesse ligado à morte. Sempre esteve um passo atrás dela, que invariavelmente encontra todos os homens, de maneiras diferentes."

"Assim como não teme o pôr do sol, Edgar Wilson entende que não deve temer a morte. Ambos ocorrem involuntariamente num fluxo contínuo."

"Mas para ele aquela mulher valia tanto quanto um abutre e tinha o direito de ser recolhida como o resto dos animais mortos."

"Da próxima vez enterre seus mortos."

5 comentários:

  1. Adoro histórias assim!
    Fiquei bem intrigada com o nome do livro e achei a capa super bonita, a sinopse me encantou e a resenha me deu certeza de que quero ler ele.
    A humanidade que há em Edgar e Tomás de tentarem dar um pouco de dignidade aos corpos foi o que mais me encantou.
    Adorei!!

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  2. Não me interessei muito no livro Eu sinceramente não consegui me envolver em nenhum aspecto da história mas a capa desse livro me lembrou muito a capa de deuses de outro mundo do a j Pereira

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  3. Carol!
    Não li ainda nenhum dos livros da autora, mas pelos quotes e por sua resenha, leria com maior prazer.
    Não conheço o protagonista de outros livros, mas parece que ela soube trazê-lo à vida novamente...
    Bacana!
    Desejo uma ótima semana!
    “Os fracos nunca podem perdoar.” (Mahatma Gandhi)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA AGOSTO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  4. Olá Carol!
    Adorei a resenha, se não me engano é a primeira que leio do livro, o enredo aprece ser bom, espero ter oportunidade de ler e conhecer a história.
    Bjs!

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  5. Adorei! Nao estou acostumada a ler livros assim, sempre procuro me manter nos meu romances adolescentes, hehe. Mas quem sabe um dia eu tente, amei o titulo desse!

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