[RESENHA] Variações Enigma, de André Aciman

julho 17, 2018

Sinopse: Os sentimentos de Paul, tão intensos na adolescência,continuam a atormentá-lo na vida adulta: no sul da Itália, ainda jovem, quando se apaixonou pelo marceneiro de seus pais; em Nova York, onde acredita estar sendo traído pela namorada e se interessa pelo parceiro de tênis nas quadras do Central Park; em um campus coberto de neve em New England. Não importa onde ou quando, suas relações são caóticas, transitórias e marcadas pela força do desejo. 

Variações Enigma explora a impossibilidade de restringir uma pessoa a uma única linha melódica. Dessa forma, André Aciman mapeia os recônditos da paixão e revela a impiedosa e intrincada psique humana. Assim como em Me chame pelo seu nome,
sua linguagem delicada, pungente e sincera lança uma luz sensorial sobre as facetas do desejo.



Nesta nova obra de Aciman, somos apresentados aos vários tipos de amor, paixão e desejos, pelo olhar de Paul. 
Uma das características que mais gostei do livro é que cada capitulo parece ser contado de forma independente, em uma parte diferente de sua vida! Assim vemos, na Itália, a paixão da adolescência pelo marceneiro de seus pais, no primeiro capítulo, onde o jovem Paul transborda em desejos e paixão, quando nem mesmo ele sabe o que está sentindo ou o que fazer com esse sentimento, sem poder contar para os pais e sem amigos, ele decide levar adiante, em segredo, tudo o que sente, consigo mesmo, aquele primeiro desejo de adolescência onde os hormônios começam a apitar mais forte e você fica em êxtase e quer mais, e mais. Nos capítulos subsequentes, Paul, já adulto, é tomado por ondas de amores passageiros e desejos que rondam o clímax do livro. 
Outro ponto interessante da narrativa, que para mim já se tornou marca registrada do autor, é a maneira como ele capta o pensamento humano de forma tão verdadeira, mostrando as conversas que temos dentro de nossa cabeça quando planejamos ter uma conversa séria com alguém, as várias suposições de respostas e atitudes do receptor e as paranoias que criamos, a dramatização personificada do que só a humanidade consegue reproduzir. Quem nunca foi dormir simulando uma conversa séria ou discussão com alguém e avaliando os possíveis tipos de respostas que poderia receber? 

Mas o ponto chave dessa história é o desejo em ebulição pelo corpo enquanto irradia amor por suas veias e você tenta, de todas as formas possíveis, equiparar um sentimento a outro. O romance inteiro podemos ver Paul se apaixonando e, quando está estável em um relacionamento, começa a ter seus desejos despertados por outra pessoa, até que chega o momento de decidir se continua com a atual ou vai atrás de quem está fazendo seu corpo inteiro se desestruturar com apenas um olhar. 
Já foram o marceneiro, a namorada, a amiga da faculdade, o colega de tênis do Central park, dentre outros que mexeram ou ainda vão mexer com Paul de forma única e irreversível. 
Moldado pelo arrependimento de coisas que não chegou a fazer ou de ter feito quando achou ser tarde demais, Paul trava uma luta incessante em busca do que ele realmente quer comparado com o que ele sente. Sempre levando em consideração os amores roubados, os desejos em êxtase em seu interior, sentimentos inacabados que vêm e vão, ou aquele comodismo que nem você sabe mais porque ainda está com ele.
"Estamos divididos entre o arrependimento, que é o preço que pagamos pelas coisas que não fazemos, e o remorso, que é o preço que pagamos por fazê-las"
Uma linguagem poética, com várias referências a escritores e filósofos, muitas maneiras de entender o comportamento humano quando o assunto é desejo, alfinetadas em sua alma em como você vive sua vida, com uma abordagem melancólica e sentimental. 
Para mim, Paul foi a personificação de tudo aquilo que a humanidade é quando se trata de amar e ter desejos por alguém.
Posso ter descoberto o enigma por trás da história, ou posso nunca ter tomado o "vinho da vida", mas depois dessa leitura, o enigmático acabou sendo eu.

E André Aciman foi confirmado para a Flip 2018, em Paraty no Rio de Janeiro, que ocorrerá entre os dias 25 a 29 de julho, onde ele abordará questões sobre exílio, desejos, escrita da memória e identidades multiculturais! Já leu me chame pelo seu nome e/ou variações enigma? Então não deixem de aproveitar esse evento único da Flip!

2 comentários:

  1. Adoro histórias que citam a Europa, principalmente a Itália. A história parece ser muito interessante pelo fato de não colocar o personagem como hétero ou homossexual, mas sim uma pessoa que tem seus desejos sem rótulos e de formas tão distintas. Apesar de achar que é um ótimo livro, infelizmente não foi algo que me fez ter vontade de conhecer a leitura :(
    Ótima resenha. Beijos!!

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  2. Ainda não li nada desse autor, mas a maneira como a história é contada chamou minha atenção.
    Bela resenha.

    Beijos

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