[RESENHA] Os Crimes da Rua Morgue, de Edgar Allan Poe

novembro 20, 2017

Título: Os Crimes da Rua Morgue (The Murders in the Rue Morgue)
Autor(a): Edgar Allan Poe
Editora: Rocco // livro cedido em parceira com a editora
Páginas: 224
Gênero: ficção
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Sinopse:
Com “Os crimes da rua Morgue”, Edgar Allan Poe inaugurou, em 1841, a moderna literatura policial e criou um de seus mais célebres detetives, o até hoje reverenciado Auguste Dupin. O conto, que narra a memorável investigação do assassinato de duas mulheres em um quarto fechado, é o carro-chefe desta reunião de histórias de terror e mistério traduzida por ninguém menos que Clarice Lispector. Grande leitora e fã da literatura policial, a escritora, que também verteu para o português os livros de Agatha Christie sob o pseudônimo de Mary Westmacott, empresta seu talento invulgar ao gênio de Poe, trazendo para o leitor brasileiro histórias como “A máscara da morte rubra”, “O gato preto”, “Ligeia” e outras. Lançamento do selo Fantástica Rocco, esta edição de Os crimes da rua Morgue e outras histórias extraordinárias recupera este encontro, literalmente, fantástico.

Os Crimes da Rua Morgue é um livro de contos de Edgar Allan Poe, e nessa edição, foi traduzido e adaptado por Clarisse Lispector.

Eu sempre quis ler algum livro do Poe, mas ficava receosa de comprar e não gostar da escrita, não compreender; então quando vi esse lançamento da Rocco que foi adaptado pela Clarice Lispector, vi minha chance de finalmente ler algo do autor que influenciou tantas obras de romance policial, como Sherlock Holmes e os livros da própria rainha do crime, Agatha Christie.



A escrita do autor é muito cativante e todos os contos têm um clima angustiante e assustador. Apesar de ficar receosa de ler contos por medo de não serem bem desenvolvidos, definitivamente não tive esse problema com os contos do livro. Apesar dos contos serem curtinhos, o autor tem uma forma de prender sua atenção pra saber o que vai acontecer, e foi o que aconteceu logo no primeiro conto, "O garoto preto".



O conto que dá nome ao livro é de longe o meu preferido. A fórmula usada, de um detetive que resolve casos difíceis contadas sob o ponto de vista do amigo, nos remete à Sherlock Holmes, entre outros, mas foi justamente seguido o modelo da história do investigador Dupin e seu parceiro.



A Rocco arrasou na edição, amei os detalhes da diagramação e a folha preta quando se inicia os contos. É um livro mais do que recomendado pra você que já conhece a genialidade de Poe, ou você que tem vontade de conhecer, pois não irá se arrepender.


QUOTE:

"É essencial saber o que se deve observar."

[RESENHA] Ponte de Cristal, de Thati Machado

novembro 18, 2017

Título: Ponte de Cristal
Autor(a): Thati Machado // livro cedido pela autora
Editora: Independente
Páginas: 312
Gênero: distopia, suspense, ação
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Sinopse:
A renomada escritora Mia Prescott não imagina que a sua decisão de acertar contas com o passado causará uma reviravolta em sua vida e colocará à prova todas as suas certezas. Seu país, o Lar, precisará da sua ajuda ou sofrerá pelas mãos da mesma pessoa que arruinou seu verdadeiro eu. Vivendo na Capital, Mia não percebe que uma revolução está se aproximando e que ela é a única capaz de detê-la. Bom, ela e o homem a quem ela jurou se vingar. Ou talvez não seja ele... Quer dizer, em quem confiar? 

Mia é uma autora famosa com um passado misterioso, em busca de vingança contra Théo, que vamos descobrindo aos poucos ter lhe feito muito mal. Ao sair em busca do homem que a violentou para se vingar, ela conhece Gael, irmão gêmeo de Théo. E após o choque inicial e desconfiança sobre sua verdadeira identidade, Mia decide confiar nele e embarcar numa aventura atrás de Théo.

Essa aventura conta com mais dois personagens, Stevie e Rose, os melhores amigos de Mia. Apesar de ambos não gostarem de Gael, eles entram de cabeça nessa busca junto com Mia. Eu gostei bastante da Rose, ela realmente se preocupa com a Mia, mas odiei o Stevie. Ele foi um babaca do início ao fim.

A Thati fez tanto mistério com esse passado da Mia e tudo em relação ao Théo e o que ele fez com ela, que eu não consegui parar de ler até descobrir sobre tudo. E posso dizer que fiquei muito satisfeita quando descobri. A escrita da Thati é tão envolvente que você não consegue evitar ficar preso no universo que ela criou.



É uma distopia bem diferente das que já li por aí, por ter bastante mistério, suspense, ação e muito romance. Gostei muito da combinação porque a autora soube balancear cada um e utilizou eles no momento certo na história.

Eu adorei a Mia. Ela é bem diferente das protagonistas de distopias que estou acostumada a ler. Ela é forte, determinada e cheia de vida, apesar de ter sofrido bastante, sempre quer proteger seus amigos. É uma personagem completa e não tenho nada a reclamar.

O romance entre Gael e Mia acontece, apesar de certa relutância por parte de Mia, afinal, ele é a cara daquele que a violou. Achei os dois bem fofos, e é bem lindo ver a devoção de Gael com ela.

Ponte de Cristal é uma mistura de gêneros envolvente do início ao fim. Eu achei que as coisas aconteceram um pouco rápida e eu gostaria que tivesse explicado mais sobre o Lar, o país deles, e a revolução que acontece como pano de fundo. Mas fora isso, a Thati escreveu uma história eletrizante, cheia de reviravoltas e eu não acharia ruim ter uma continuação, viu?



Quotes:

"A verdade nos deve ser doada, caso contrário perderia toda sua essência."

"Se confrontarmos nossos medos, no fim não haverá o que temer."

"Eu estava na vida real e não nos meus livros. Enquanto escrevo é possível deixar a história perfeita, idêntica ao que eu idealizei. Na vida, no entanto, isso parece impossível." 

[RESENHA] Vacas, de Dawn O'Porter

novembro 16, 2017

Título: Vacas (The Cows)
Autor(a): Dawn O'Porter
Editora: HarperCollins Brasil // livro cedido em parceira com a editora
Páginas: 336
Gênero: ficção
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Sinopse:
"Um pedaço de carne; feito para reproduzir; além da sua data de vencimento; parte do rebanho.
Mulheres não têm que se encaixar em estereótipos.
Tara, Cam e Stella são estranhas vivendo suas próprias vidas da melhor forma que podem, apesar de poder ser difícil gostar do que você vê no espelho quando a sociedade grita que você devia viver de um jeito específico.
Quando um evento extraordinário cria laços invisíveis de amizade entre elas, a catástrofe de uma mulher vira a inspiração de outra, e uma lição para todas.
Às vezes não tem problema não seguir o rebanho.
Vacas é um livro poderoso sobre três mulheres julgando uma à outra, mas também a si mesmas. Entre todo o barulho da vida moderna, elas precisam encontrar suas próprias vozes."

Tara é uma produtora de TV da Great Big Productions e tem que lidar com o machismo diário dos colegas de trabalho, já que é uma indústria dominada por homens. 



Cam é uma blogueirinha, daquelas objetivo de vida, já que ela se sente bem em sua pele – inclusive a primeira vez que aparece o ponto de vista dela é um post dela falando sobre isso. Isso não significa que a vida dela é perfeita – até porque aparência não é tudo nessa vida –, a mãe dela não a aceita como ela é, não acha que essa vida é pra ela.

Stella é mais misteriosa das três. Ela mantém a vida profissional e pessoal separadas, então ninguém sabe da doença que ela tem, nem o luto que ela ainda vive pela morte da irmã.



O livro fala sobre feminismo e as consequências de julgamentos precipitados na era da internet sobre aquilo que não temos conhecimento em totalidade; vemos isso quando um vídeo de Tara viraliza e ela quer se esconder do julgamento de todos. E é aí que a vida de todas se conectam: Cam fala sobre o assunto, defendendo Tara, em seu blog; Stella é a assistente de Jason, um cara com quem Tara saiu um dia e está esperando um telefone, mas Jason perdeu seu celular e o número dela, então é missão de Stella encontrar Tara para Jason.



O livro é ótimo pela mensagem de emponderamento, problemas familiares e aceitação, e eu recomendo muito. Achei alguns erros de revisão que me incomodaram, e deve ser olhado com mais atenção numa próxima edição.

O final foi agridoce, e fui surpreendida com o destino das personagens. Gostei que mantiveram a proposta do livro no final, e não colocaram uma mulher contra a outra – muito pelo contrário, em um acontecimento, depois de tudo que aconteceu, uma ajudou a outra – e isso foi lindo e coerente. Gostei como o destino das três foi interligado e a autora trabalhou isso muito bem. A escrita da autora pode não ter me conquistado de primeira, mas definitivamente gostei de todo o desenvolvimento.




QUOTES:

"Tenho muitos problemas, mas minha aparência não é um deles."

"Ser mãe solteira e trabalhar geralmente significa que alguém em algum lugar não está feliz comigo."