[RESENHA] Fellside, de M.R.Carey

fevereiro 23, 2017



Sinopse: Uma história de terror moderna, perturbadora e emocionante, assinada pelo mestre dos quadrinhos M. R. Carey, pseudônimo de Mike Carey, roteirista de sucessos como X-Men e Hellblazer e autor do cultuado A menina que tinha dons, adaptado para a telona pela Warner Bros (ainda sem previsão de estreia no Brasil). Em seu segundo romance, Carey conta a história de uma mulher que vive em Fellside, uma prisão de segurança máxima localizada nos confins da Inglaterra. Acusada de ter incendiado o seu apartamento e matado por acidente uma criança, Jess Moulson vive afundada em culpa e medo, e sabe que não pode confiar em ninguém ali. Até que começa a ouvir a voz de uma criança. Uma criança morta, que tem uma mensagem para Jess.




Um livro misterioso e original, Fellside, do autor M.R. Carey nos apresenta uma história intensa que tem de tudo para mexer com o leitor e é sobre esse livro que irei falar hoje.

Jess Mulson está com vários problemas e sua vida toda arruinada. Ela acaba de acordar no hospital e recebe a notícia que está sendo acusada pelo assassinato do seu vizinho, Alex Beech, de apenas 10 anos de idade. Após se drogar em uma noite junto com seu namorado, ela coloca fogo em seu apartamento, mas por pouco consegue escapar, ainda que sobrevivendo com graves queimaduras.

Jess se vê inteiramente culpada e responsável pela morte de Alex, tanto que sua culpa a consome tanto e ela se recusa aceitar ajuda de qualquer advogado e acha que merece ser presa mesmo sem tentar qualquer prova que seja a seu favor, mas também a mídia fortalece a má fama criada pela sociedade e agora ela passa ser conhecida como a Assassina dos Infernos.


Ainda com a mente abalada e cheia de culpa, quando Jess é condenada no julgamento, ela demite seu advogado que vinha tetando ajudá-la e passa a querer cometer suicídio e para isso ela resolve fazer uma greve de fome, o que a deixa bastante fraca mesmo quando é transferida para Fellside, uma prisão para mulheres.

A greve de fome de Jess vai longe e ela chega bem perto da morte, até que algo inesperado acontece a fazendo desistir do suicídio, em um dos seus sonhos ela tem contato com um garoto, aparentemente Alex Beech que pede ajuda sobre mais informações sobre sua morte e nisso Jess vê uma possibilidade de que ela talvez não tenha sido, pelo menos não inteiramente, responsável pela morte de Alex e decide parar com a greve de fome e recorrer no julgamento para assim tentar ter alguma prova de toda a versão da história que Alex contou a ela.

Fellside é um livro intrigante que prende o leitor página após página, é narrado na terceira pessoa e uma coisa bem interessante, é que não só mostra o ponto de vista de Jess Mulson, mas se de outras mulheres que estão presas em Fellside, fazendo assim com que o leitor compreenda cada drama tanto no passado quanto no presente das prisioneiras, também temos a narração em terceira pessoa do ponto de vista de um dos guardas e de um médico e enfermeiras que trabalham na prisão. O cenário que temos é em Fellside, a prisão para onde Jess é transferida e o leitor é apresentado a todo aquele universo. Tem cenas bastante fortes, as detentas só jogam pesado e temos uma visão nítida de hierarquia.



O livro destaca também tráfico de drogas, abusos, corrupção, dentre outros temas polêmicos e cada peça, cada história vai se interligando no momento certo.  Não posso deixar de falar que são muitos os personagens, mas todos os eles muito bem construído com personalidades únicas que destacam bem a obra. Há também vários detalhes na história, não achei desnecessário e o autor não se embolou nem nada, apesar de ser uma história complexa, ele escreveu com maestria.

Fellside traz uma história perturbadora e sombria, gostei bastante do meu primeiro contato com a escrita do autor, ele conduziu muito bem a história que há várias versões e o final me surpreendeu. Indico para todos que gostam de terror e suspense, esse livro é um belo convite para embarcar em uma história incrível. Me contem nos comentários se vocês já leram ou ficaram interessados!

[RESENHA] Crave a Marca, de Veronica Roth

fevereiro 20, 2017

Título: Crave a Marca
Autor(a): Veronica Roth
Editora: Rocco (Selo Rocco Jovens Leitores) // livro cedido em parceria com a editora
Páginas: 480
Gênero: distopia, ficção científica
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Sinopse:
Num planeta em guerra, numa galáxia em que quase todos os seres estão conectados por uma energia misteriosa chamada “a corrente” e cada pessoa possui um dom que lhe confere poderes e limitações, Cyra Noavek e Akos Kereseth são dois jovens de origens distintas cujos destinos se cruzam de forma decisiva. Obrigados a lidar com o ódio entre suas nações, seus preconceitos e visões de mundo, eles podem ser a salvação ou a ruína não só um do outro, mas de toda uma galáxia. Primeiro de uma série de fantasia e ficção científica, Crave a marca é aguardado novo livro da autora da série Divergente, Veronica Roth, que terá lançamento simultâneo em mais de 30 países em 17 de janeiro, e surpreenderá não só os fãs da escritora, mas também de clássicos sci-fi como Star Wars.

Os shotet e os thuvhesitas, ambos do planeta Thuvhe, são inimigos. Todos do planeta têm um dom, chamado dom-da-corrente. Em cada lugar também existem os oráculos, que conseguem ver a fortuna de certas pessoas, e isso determina que família é afortunada, que é o caso de Akos e Cyra, de famílias afortunadas e importantes, um thuvhesita e a outra shotet.

O dom da Cyra é um tanto quanto incômodo — ela sente muita dor o tempo todo —, mas ao mesmo tempo é de grande utilidade pra Ryzek, seu irmão, usar para torturar seus inimigos já que causa dor em quem ela toca. A relação dos dois irmãos me lembrou muito Daenerys e Viserys de Game of Thrones; ele usando ela pra seus propósitos e ela tendo que fazer tudo que ele manda.

Em um ataque, Ryzek sequestra o irmão de Akos pra usar seu dom-da-corrente — ver fortunas. E Akos vai junto, pois o dom-da-corrente dele neutraliza o dom de Cyra, tirando sua dor.



Os dois são bem diferentes entre si; Akos cresceu numa família feliz e Cyra cresceu com seu dom — que mais é um fardo — que seu irmão sempre tira proveito. Mas pra Akos sobreviver em terreno inimigo e ainda tentar salvar seu irmão, ele se aproxima de Cyra, que acaba sendo um relacionamento benéfico para ambos, já que ao tocar Akos, a dor e Cyra se neutraliza.

O livro é bem rico em detalhes e explicações sobre os planetas em que eles vivem e o modo como vivem, mas o início ficou muito maçante pois a autora quis explicar tudo de uma vez, não deixando o leitor absorver as informações.

O livro é contado ora sob o ponto de vista de Cyra, ora de Akos. Achei o título do livro bem peculiar, mas se você ler o livro vai entender que é bem coerente com a história.



A leitura não fluiu nem um pouco pra mim. Depois do início maçante, o resto seguiu da mesma forma. Eu amo o gênero distopia, mas os elementos presentes nessa não prenderam minha atenção, e a escrita arrastante da autora não ajudou muito.

Apesar de tudo, os personagens são muito bem construídos; cada um com sua peculiaridade. Em especial o Ryzek que mesmo com toda crueldade, podemos entender seus motivos de ser assim; assim como os secundários que têm papel na trama principal. Li várias resenhas positivas do livro, então se você já leu outros livros da autora e gostou (também não é meu caso), com certeza deve conferir esse livro e tirar suas próprias conclusões.


QUOTES:

"As pessoas sempre querem coisas que vão nos destruir, Cyra. Não significa que vamos deixá-las agir como quiserem."

"Não deveria ter ficado surpresa, não deveria ter ficado admirada com a maneira que as palavras podiam me atingir, como um soco forte no estômago. Mas a esperança me transformou numa idiota."

[LIVRO x FILME] Sete Minutos Depois da Meia-noite

fevereiro 16, 2017


Conor O'Malley é um menino de 13 anos muito bonzinho, embora cheio de problemas. A mãe está passando por um tratamento, ele sofre bullying na escola, e sua vó, que ele não vai muito com a cara, vai passar um tempo em sua casa pra ajudar sua mãe. Além disso tudo, ele tem o mesmo pesadelo todas as noites que o faz acordar às 00h07 e receber a visita de um monstro. O monstro promete contar três histórias ao Conor, e demanda que ele conte uma quarta ao monstro depois.

Recebi o livro da Editora Novo Conceito, e confesso que não esperava grandes coisas dele, mesmo tendo lido várias resenhas positivas. Não esperava me emocionar a ponto de chorar de verdade, mas esse é o efeito desse livro/filme.


Patrick Ness, autor do livro e roteirista do filme, fez um trabalho incrível adaptando a ideia original da Siobhan Dowd.

A adaptação ficou simplesmente perfeita, mesmo com a adição de uma cena no final do filme, que apesar de não existir no livro, eu li o livro pensando na possibilidade dela então achei bem coerente. A atuação do elenco é excelente, fiquei boquiaberta, principalmente, com a atuação do Lewis MacDougall, que faz o Conor. Ele consegue nos passar toda dúvida, dor e medo que o personagem tá passando no momento.

O monstro é a melhor parte. Toda vez que ele aparecia dava uns arrepios com suas histórias que nos faz refletir. "Às vezes não há mocinhos ou vilões, a maioria das pessoas fica no meio-termo", é uma das mensagens das histórias que o monstro conta a Conor. Todas as histórias tem uma reviravolta no final, que no filme é contada através de animações.


Ambos me fizeram chorar like a baby, e acredito que essa foi uma das melhores adaptações já feitas. Não porque é idêntico ao livro, mas pelos pequenos detalhes que foram acrescentados ao filme que só enriqueceram a trama.

É cheio de ensinamentos sobre perda, superação, amor; e apesar de ser um livro/filme infantil, deve ser lido/assistido por pessoas de todas as idades. Esse filme vai te jogar pra baixo, te chutar e você ainda vai agradecer de tê-lo visto no final.